domingo, agosto 02, 2015

A VACINA ANTICORRUPÇÃO



Peguei a corda do Flávio Sidou e da Adriana Abreu e escrevi um conto para um concurso literário. Nem desconfiava que a inscrição me levaria a criar um e-book, disponível no Amazon por R$1,99. A imagem ao lado leva ao link para adquirir “A Vacina Anticorrupção” Hahah. Na ficção, todo delírio é permitido!

quarta-feira, abril 01, 2015

FORTALEZA - CORES DA CIDADE


Exposição FORTALEZA - Cores da Cidade
Local: Espaço Multiuso/ Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
Abertura: 01 de abril de 2015, às 19h
Em cartaz de 02 a 23 de abril de 2015 
terça a sexta: 14 às 19h 
sábados e domingos:14 às 21h


Fortaleza há de ser cantada! A barra, o dragão, o passeio; o bode, a praça, a ponte; os poetas, os profetas, os renegados. Como destacar da obnubilação citadina cada elemento senão pela cor, pelo traço, pelo verso? Mira, olha, enxerga, Fortaleza! Espia a beleza que aqui fez morada. 

Somente representações poéticas podem restaurar a ternura que eventualmente se perdeu no caos do dia-a-dia. Os embates, as desproporções, os extravios que descarrilam a metrópole não podem abafar a cidade, seus personagens, suas histórias.

Precisamos elaborar retratos que inspirem a construção de um reduto que se respeite, se preserve. As cores da cidade devem ganhar as telas para que as enxerguemos!

Os artistas plásticos Carlos Macêdo, Cláudio César, Fernando França, João Marcelo Pereira, Lia Sanders, Mano Alencar e Vando Figueirêdo aproveitam o ensejo do aniversário de Fortaleza para louvar nossa aldeia. Resgatando paisagens e personagens, a exposição Fortaleza – Cores da Cidade oferece novos tons a cenários já invisíveis de tão familiares. 

Fruto do anseio de redescobrir o encanto da capital, o projeto vem abalar nossa concepção do espaço urbano. São cerca de trinta telas com a temática, quatro a cinco de cada artista.

Fortaleza dispõe de uma cena cultural e artística própria, cujo reduto e resistência o Dragao do Mar tão bem sintetiza. Não há lugar melhor que o Centro Cultural Dragão do Mar para apresentar à cidade seus mais novos retratos.

quinta-feira, janeiro 01, 2015

Homenagem ao poeta Mário Gomes (1947-2014)

                          

Vai-se o poeta. Fica a poesia.


Quando eu morrer
Irão distribuir minhas camisas,
Minhas calças, minhas meias, meus sapatos.
As cuecas jogarão fora.
Ninguém usa cueca de defunto.
Irão vasculhar minha gaveta.
Vão encontrar muita poesia,
Documentos e documentários.
Só sei dizer
Que foi gostoso viver.
Sentir o amor e proteção de minha mãe.
De conhecer meus irmãos, meus amigos.
De ver de perto as mulheres.
Só posso deixar escrito:
"obrigado vida".

Mário Gomes


domingo, fevereiro 23, 2014

FORTALEZA CEGA


Após um ano na cidade, ainda me flagro explicando as razões de minha volta. Os olhares dos interlocutores faíscam a suspeita de alguma grave enrascada na qual eu me tenha envolvido no país desenvolvido que ousei deixar. Fortaleza é atrasada, corrupta e caótica - esclarecem. Devo exalar ares de estupidez profunda. As pessoas insistem em me abrir os olhos! Sem a pretensão de minar os julgamentos permitidos a cada universo mental, argumento que a felicidade transita pela benevolência e não por altos índices de desenvolvimento humano. Com mentes programadas para encontrar e, teoricamente, solucionar problemas, os enigmas tornam-se cada vez mais fúteis se o progresso não se acompanha da devida atenção. A vida na Alemanha ou na Suíça pode até não ser recheada das barbáries das quais temos notícias diárias por aqui, mas não afasta a necessidade de nos confrontarmos com as dores do mundo. O que me frustra não é o atraso em que claramente vivemos, estágio do qual não escapamos. Abate-me a revolta oca de quem pretende nada ter com tudo isso. A corrupção - da qual falamos como se invenção política fosse – se faz presente em nossos menores atos, habilmente travestida de jeitinho. Seja na materialidade do consumismo desenfreado, seja no colonialismo ostensivo de nossas relações sociais, com apogeu na apropriação de influência e bens públicos, ou mesmo na truculência de nosso comportamento no trânsito, raramente nos enxergamos com exatidão. Fortaleza está apavorada e ainda nem se viu no espelho! Se lhe pudéssemos descortinar, veríamos uma cidade, quiçá maltratada pela falta de amor, mas que pode ser muito mais do que essa prostituta cega da qual nos servimos sem respeito nem consideração. Para tal, é preciso um bocadinho de compaixão no trato com os nossos semelhantes, rigor no julgamento das próprias ações e, quem sabe, ternura por uma paragem que tem, sim, os seus encantos. 

domingo, janeiro 12, 2014

Teimosice

O Livro do Desassossego definitivamente não ajuda a tarde de domingo. A melancolia tão característica do dia entra em ressonância com o inabalável desalento português para transformar a tristeza em sentimento elequentemente justificado. Mais que duas páginas diárias da genialidade de Fernando Pessoa eu definitivamente não aguento. O poeta descreve tão propriamente a agonia da vida, que a apoquentação que me povoa a alma ganha detestável suporte. Aí só mesmo um samba, choro triste de melodia alegre, contraste tão próprio da vida brasileira, para trazer a alegria ao seu devido lugar de destaque. A verdade é que não suporto esmorecimento que não venha desafiado por um sorriso de resistência, consternação sem uma pontinha obcecada de esperança. O segundo domingo do ano vem com uma provocação: Será que você ainda escreve? Eu acho que sim. Só de teimosice, só porque não há tempo para elucubrações... Só de boa. Só de mal.

quinta-feira, novembro 14, 2013

Nascemos para ser eternos

Quem não morre fica velho. Desconcertantemente simples a conclusão a que chegamos certa altura da vida. Uma criança não fica velha, claro. Ela come bolo, faz festa, indica com dedos orgulhosos a idade crescente, berrando para o mundo inteiro que está fazendo aniversário. Nascemos para ser eternos; não eternamente jovens. É com o tempo que a gente começa a empurrar as cifras que marcam o passar dos anos para debaixo do tapete. Como tudo na vida, há a perspectiva da luz e a das sombras. A negação da idade talvez tenha relação com a analogia entre o novo ano e mais um tenebroso degrau em direção à morte. Quem quer saber de trevas? A vida não brinca e os anos não passam em vão. Reunir os cândidos anjos que abrandam a labuta dos nossos dias com a força de seus espíritos, ainda que nem sempre todos, ou tantos, é a melhor forma de celebrar essa vida que ninguém vive só. Aos sobreviventes os dignos parabéns por encerrar mais um ano. Há muito esforço nisso. De presente, outro ano novinho em folha. E se ele já não for tão novo assim? Se consigo trouxer rabiscos, emendas, histórias começadas, mal-contadas? Melhor assim. O importante é ter ainda folha e gás para continuar a escrever. 

sábado, junho 22, 2013

Enfim, a primavera!

Quando vaiam a presidenta da república em nosso templo maior, o estádio de futebol, o acomodado cidadão se obriga a curiar para além do microuniverso particular. Então há manifestações contrárias à Copa das Confederações em Brasília? Até ele se pôr minimamente a par do que de fato se passa, protestos pipocam país afora. Quem são? O que querem? A que se opõem? A dificuldade é encontrar, entre tantas fontes de insatisfação pública, uma para abrir a lista. Comecemos com vinte centavos. A geração que nunca foi às ruas fotografa e comenta tudo em tom de interessado embasbacamento. Agora que a fogueira pegou, soa óbvia a força das massas, mas a verdade é que a moçada das redes sociais foi afoita o suficiente para redescobrir o caminho das ruas. É inevitável não se perguntar por que não o fizemos antes. A crescente classe média agora se vale da internet para driblar a mídia de massa, nossa sedutora titereira. O protesto não é dos extremos da pirâmide social, mas de uma juventude que cresceu livre para escrever o que bem entende em sites, blogs, e por que não, cartazes. Absolutamente genial o País do Futebol aproveitar os holofotes da arena da bola para ousar pedir mais. A gente quer carnaval em fevereiro e seriedade o ano inteiro! O inesperado engajamento popular desponta justo na véspera de o Brasil receber o evento que foi, por anos, o principal combustível do vacilante orgulho de ser brasileiro. O futebol nos fez sentir, por vezes, magicamente livres das amarras que fazem este grande país paradoxalmente tão pequeno. Afogando as mágoas na minguada alegria dos campos, provamos do inebriante gostinho do topo do mundo. Tacham a onda de manifestações de apartidária e despropositada. O apartidarismo só confirma: os partidos políticos há muito não representam os interesses da população brasileira. Quanto ao propósito, que tal o de sacudir um povo que há tanto tempo paga a conta e só leva fumo? É primavera: o Brasil aflora pelas ruas.                                                                                                                                                     Breve pausa. Não pela inspirada reação da presidenta, que aproveitou o ensejo para legitimar o projeto de importar médicos estrangeiros como mágica solução para o intricado Sistema Único de Saúde. Descontados os evidentes interesses de classe da autora médica, resta ainda muito ceticismo para com o êxito de uma assistência médica sem medicamentos, exames complementares, eficiente rede de referência a serviços especializados. Os protestos democráticos se enfraquecem é pela violência de alguns velhacos. Como bom reflexo de nossa heterogênea feijoada social, quem tem traquejo com as palavras se sai com um cartaz irreverente, quem só sabe dar porrada aproveita a deixa para exercitar a truculência. Será que a geração tão relutante em se enxovalhar com política tem vigor para espantar as moscas do poder? Ou vai-se limitar a reclamar de regimes parasitários? Sem renovadas lideranças, seguiremos à mercê de um time de estranhas siglas iniciadas em P que só ampliam o placar contra o Brasil. Já incomodado, o cidadão coça a cabeça, comenta, diz que gosta. Elabora até uma faixa: “E agora, José?” Agora é hora de cada brasileiro se nutrir do espírito coletivo e assumir a parcela de responsabilidade que lhe cabe neste latifúndio.

quarta-feira, fevereiro 20, 2013

Vamos dar um tempo


Acho que é mais honesto outorgar férias oficiais às pretensoes literárias. Por ora, o mundo me quer fazendo outras coisas.

Hasta la vista! ;-)

quarta-feira, janeiro 16, 2013

Amor de virada


Mal o ano passou, Gisele perdeu Leandro de vista. “Gente demais para uma maldita festa!”, concluiu. Bastou a feminina aptidão para se fazer razão de todos os males sussurrar-lhe: “Leandro por ti não mais se interessa”. Da sugestão Gisele derivou uma crise. Já lera a respeito em revistas de fuxico. “É a crise dos sete anos.” Classificado o fenômeno, tão veloz a insegura graça de uma fêmea, Gisele impacientou-se. As tragadas no cigarro não avançavam no passo do desespero de uma mulher com o casamento à beira do precipício. “Cigarro mata.” Abandonou-o pela caça ao marido. Vagueou pela festa uma, duas vezes, o que lhe deu tempo para imputar inúmeras atrocidades a Leandro. Barbaridades quiçá mais brandas somente se comparadas às que, com a ajuda do espelho, atribuia a si: “A culpa é toda tua, Gisele. Não te cuidas... Aí o resultado. Olha que braços molengas! E essa barriga? Felipe já conta três anos e esse bucho ainda não saiu do lugar. Esqueceram algum menino aí dentro, foi?” Algum resquício de respeito por si aliou-se a interessados olhares a acompanhá-la. Gisele recompôs-se. Ergueu o queixo e deixou o recinto. “Leandro!”, lembrou. Em taciturna histeria, vasculhou os banheiros, a varanda, as escadas, os quatro cantos do quarteirão. Extenuada no banco da praça, perdoou a última desavença com o cigarro. Tabaqueou a raiva, o casamento, os quilos a mais, a amaldiçoada ideia de festejar o reveillon em casa de gente estranha. Decisão dela ou de Leandro? Para exasperação de Gisele, fogos de artifício interpelaram a disputa: “Por que é preciso simular o fim do mundo no início de cada novo ano?” Entre cigarros e pensamentos, a mente e, logo em seguida, as pernas de Gisele dirigiram-na ao bar da esquina. Recostou-se no balcão. Não era de beber; pediu cigarros. Como brindasse com os demais, levantou o maço. “Feliz ano novo!”, desejou de modo que ninguém além de sua consciência escutasse. Saltava de um pensamento a outro com a desenvoltura de um trapezista ébrio. “Embreagada de fumo!”, divertiu-se. Por um instante, a cabeça silenciou. Um vulto encostado no balcão afobou-lhe o peito. Sabia do que se tratava. A última vez em que se abalara de tal modo a conduzira ao altar. A seu lado se encontrava um homem, decerto bruto e perdido como todos os presentes. Ainda assim, a criatura a atraía quase irresistivelmente. “Ora mas vejam só! Há um instante mordia-se de ciúmes do marido; agora derrete-se por outro...” Gisele engoliu seco. Era fiel, sim, deveras. “Gostarias que Leandro, seguindo a batida de seu coração, espiasse umas e outras fêmeas?”, torturou-se. "Virarás o rosto, permitindo-se encantar pelo desconhecido?" Furtivamente, a curiosidade passou a perna nos castos princípios. Gisele contemplou o estranho, que logo lhe sorriu:
- Vens sempre aqui?
- Só quando meu marido some de vista. – provocou, debruçando-se sobre a bancada.
- Casada?
Gisele rodou a aliança no dedo:
- Há sete anos.
- Isso tudo!?
– Época de crise.
- O Brasil está sempre em crise...
Gisele adorava quando Leandro não compreendia:
- O jeito é se apaixonar outra vez.
Ele, por sua vez, sabia bancar o desentendido:
- É uma ameaça ou uma declaração de amor?
Aplacada, Gisele o abraçou:
- Como é que me achaste aqui?
Leandro limitou-se a indicar com os olhos o maço de cigarros.
- Eu sei, eu sei... Próximo ano eu paro.

***

quarta-feira, janeiro 09, 2013

Ainda nao tenho 2013 sob controle...  mas é só eu me arranjar com o que a vida anda exigindo que volto a escrever. 

Bem, pelo menos esse é o plano. 

FeLiZ aNo NoVo!