Tortuosas linhas de raciocínio

De tempos em tempos sinto uma necessidade extrema de gente. O pior é que esses lapsos de solidão ocorrem quando os amigos, esses santos que me socorrem com suas companhias, ouvidos e histórias, estão, obviamente, vivendo as suas vidas. Não, o mundo não pode parar e me fazer cafuné! Pois bem, no dia dos namorados entrei em pânico. Tudo bem que complico bastante quase tudo: quando tem festa, alugo um vídeo e fico em casa; quando na rua só desfilam os casais felizes, cismo de sair. Com quem? Todo mundo tem programa e não há como eu me escalar. Uma amiga me contou que eu tinha fama de cu doce. Para quem não conhece, a expressão significa pessoa fresca, enjoada, do tipo não me misturo com qualquer um. Definitivamente não se trata de um elogio. E eu que me considerava a acessível! Muito estranho saber que passo essa impressão. Ok, opinioes isoladas não têm lá tanto valor, mas quando sua mãe, que sempre acha que o problema é com o resto do mundo, jamais com você, diz: é mesmo!, tudo muda de figura. Se eu desconhecesse a tortuosidade de minhas linhas de raciocínio, pensaria o mesmo. Só que a verdade é que tudo na minha cabeça anda tão depressa, que os relacionamentos começam, entram em crise e acabam, antes que o outro tenha sequer tempo de entender porque escapei. Acho que para dar certo, o cara tem de me encontrar tão distraída que eu não tenha tempo de perceber e analisar o que está acontecendo. Ou quem sabe tentar, de cara, uma reconciliação, para que tudo possa finalmente começar. Se Freud fosse vivo, bem a gente poderia ter um affair!