Adriana Abreu

Há pessoas que admiro com as quais não consigo ir além do trivial. Há também as com quem não transcendo a oca linguagem do Tudo bem? Tudo; comunicação reflexa, cumprimento padrão, despreparo absoluto para um não como resposta. Há as com as quais nem sinto vontade de interagir, as que mesmo perto não noto e as que a léguas de distância continuam parte de mim. Há ainda as que só por existirem já me fazem bem. Há tantas outras! Na minha audácia de bancar a grande de escritora, preparo para alguns amigos pequenos textos, depoimentos sobre como os vejo, sobre o que representam. Há algum tempo Adriana me pede algo do gênero. Esquivo-me até hoje. Alguém pode pensar que eu dela não goste o suficiente para escrever algo bacana. A razão é diametralmente oposta. Valendo-me da linha do existe isso e existe aquilo: há o que dá para escrever e há o que não cabe em palavras. Adriana não cabe. Não dá para simplesmente reunir alguns de seus belos adjetivos num perfil. Não é como descrever um pôr do sol, discorrer sobre os fatos de um dia ou mesmo sobre alguém que conheço bastante. Não visualizo um estereótipo, sabe, um jeitão. Ao textualizar Adriana só consigo discorrer sobre minha incapacidade em fazê-lo. Não me atrevo, pois tudo que disser a respeito vai parecer o que está parecendo, pouco, superficial. Falar o quê de alguém que me escuta e acompanha minhas idas e vindas, teorias, decisões, planos, confusões? São incontáveis horas ao telefone em papos que deixariam Platão e Sócrates se achando superficiais. Não gostamos das mesmas coisas, não freqüentamos os mesmos lugares, não professamos a mesma fé, não pensamos do mesmo modo, não andamos grudadas, não pertencemos à mesma tribo. Simplesmente nossos corações batem na mesma sintonia. Costumo dizer que a gente percebe o quanto gosta de alguém quando faz de suas conquistas nossas. Torço por Adriana como torço por mim. Quero que a vida a trate bem. Desejo a todas as pessoas uma amizade igual à nossa e desejo que ela entenda mais essa!