Agora

Este blog, de certa forma, canalizou parte do que povoou uma mente carregada de quimeras. Serviu também para que eu me reencontrasse com o prazer e o martírio da escrita. Agora me encontro tão rigorosa com o que esboço, que não sei se após o atrevimento cibernético escrevo mais ou menos que antes. Sempre que falam bem sobre o que quer que seja, crio uma expectativa. Essa esperança contribui para que, algumas vezes, acabe me desapontando com a indicação. Nesse fim de ano, li algo que me inculcou deveras: “O Poder do Agora”. A publicação encontra-se na seção de auto-ajuda de qualquer grande livraria. Sim, pasmem, li um livro de auto-ajuda... E gostei! (Vocês já devem estar habituados ao meu costumeiro morder de língua, voltar atrás...) O livro conduziu-me ao que precisava entender, no instante exato. Há um mês, talvez o tomasse por ridículo com todo aquele papo de “eu interior, ser, agora, iluminação” e etc e tal. Gostei, mas não sei se o recomendo. Aproximou-me de encerrar antigas perturbações (muito obrigada Eckhart Tolle!) e é só! Sempre padeci de minha atividade mental. A todo instante ansiava por estar onde deveria, aprendendo o máximo. De tanto cuidar para não deixar escapar nadica de nada, pergunto-me: Em quanto da minha vida realmente estive? Quanto dela investi no terreno das suposições, dos planos, das idealizações? Quanto me enganei a respeito dos outros e de mim? Quanto encarnei da imagem criada a meu respeito e, principalmente, quanto me empenhei em desempenhá-la? Quanto da minha energia despendi revivendo o que já não é e angustiando-me acerca das cenas dos próximos capítulos? Minha maior conquista em 2005 será, de fato, presenciá-lo! Acessar o passado sem revivê-lo internamente e transitar pelo futuro o mínimo necessário. Doravante, quero tudo de verdade: cada minuto, cada fala, cada riso, cada obstáculo. Como os “queros” mudam! Agora eu quero é pensar menos e viver mais: inteira. Que a paz do meu cérebro se esbalde numa rede amarrada entre dois coqueiros, leve, e papo pro ar! Feliz 2005 e obrigada por, em 2004, acolherem tamanha inconstância sem oposição nem julgamento.