Amor, próprio amor

Certos conceitos tão incutidos na cabeça estão, que - se alguém ousa discordar - a casa cai! Pois me peguei a debater com duas amigas a respeito de algumas linhas de meu penúltimo texto. (Talvez aqui caiba uma releitura do mesmo. Bom, eu precisei!) Discordaram da minha “negação do amor-próprio”. Com pingados escritos, não pretendo convencer ninguém acerca de nada. Diferentes opiniões – muitas, aliás, brilhantemente argumentadas nos comentários - são sempre muito bem-vindas. Muitos comentários valem mais a pena que os textos propulsores, diga-se de passagem. Mudar o ponto de vista não me constrange. No entanto, prezo pela clareza. Não defendo a auto-anulação, a vida em função do outro, a rispidez consigo mesmo. Não prego nenhuma revolucionária filosofia libertadora, nada! Eu, Lia Lira Olivier Sanders, por considerá-lo utópico e desnecessário, resolvi sublimar o amor-próprio. Pessoas são amor, não o possuem! Como propriamente são também ira, inteligência, burrice, candura, agressividade... Ocupar-se em manter uma “boa relação consigo mesmo” implica em não tê-la. Agarrar-se ao amor-próprio aponta evidentes problemas de “auto-estima”. Há quem considere essa questão importante, tudo bem! Eu é que não tolero esses “ter que”, essas características e sentimentos obrigatórios. Voltando ao texto da discórdia, a indagação “Mereço ou não mereço meu próprio amor?” não cabe. Afinal, somos fonte e canal de um amor que não se vale de critérios ou julgamentos. Aproveito o ensejo para reformular uma idéia: somos sim lindos e maravilhosos... E pequenos e vis e muitas coisitas mais. A conversa encerrou com o argumento de não compreendermos do mesmo modo o amor. Caímos no complexo e incompleto jogo das denominações! O que diabos é o amor? Ainda não arrisco uma definição. Amor próprio ou próprio amor? Importa? Sem domínio dos conceitos, nem decisão quanto à ordem da seqüência, amamos. Então por que mesmo essa falação toda? Também não sei!