A busca dos adjetivos que me cabem

Há uma frase enjoada que nos responsabiliza eternamente pelo que cativamos. Sua provável verdade me incomoda. Desenvolve-se um apegado quê de cuidado pelo que se constrói, de continuidade. Escrevi este blog, vocês leram. Achei bom! A gente não é besta de expor o que tem de pior. O meu pior está tão escondido de um jeito, que nem sei onde está. Jamais convida-los-ei para uma apreciação de meus dotes musicais, por exemplo. Só que além de só revelar minha melhor parte, sou de um egoísmo extremo. Sigo ora vontade, ora necessidade, ora possibilidade - optando pela primeira sempre que possível. Então, não quis, não precisei ou não pude escrever. Este ano veio com a força de uma novidade atrás da outra. Como parte do ciclo “Mais ação, menos masturbação intelectual”, uma série de objetivos, em médio prazo, me capturaram. Do período bom de não poder nem pensar em ficar triste, alguns textos até ameaçaram criar corpo. Faltou, porém, tempo para lambê-los. Desse modo, os dias destinaram-se a resolver, não a refletir; a aprender, não a falar. Estranho período para gente das afeitas a proclamar sentenças sem dó nem piedade, a verbalizar – inconseqüentemente – os pensamentos. Tempo oportuno para óbvias e tardias descobertas. Quem disse que as pessoas clamam por minha tão preciosa verdade, apenas uma de tantas outras que existem? Ontem escandalizei uma amiga que anda fazendo análise ao afirmar: “Ao invés de gastar dinheiro com infrutíferas terapias, as pessoas deveriam viajar”. Findamos ela indignada com minha ignorância e eu, de dar opinião. O que é que tenho a ver com a psicologia? Boa parte do que digo é pura bobagem: instantâneas e irresponsáveis declarações. Se ninguém sabe de nada e as conversas pipocam por todos os cantos, as pessoas só podem estar falando sem o mais longínquo conhecimento de causa! Se embasamento necessário fosse, cada um de nós poderia explorar, no máximo, um ou dois temas! Ia ter até gente impossibilitada de versar sobre o que quer que fosse... E tudo seria terrivelmente chato! São apenas 21 anos de audazes pretensões, espirituosos enganos e mordazes ironias. Então não me levem a sério, não me levem a mal! Como muitos de vocês já sabem, acompanharei, por uns bons meses, serviços de clínica médica em Berlim. Vai ser o tempo de que precisava, em Terra de gente outra, país de estranhos gostos, encantos, valores. Gozando da liberdade da falta de conceitos a meu respeito, vislumbro a possibilidade de agir livre da pressão de ser como acham que sou, de descobrir quais adjetivos realmente me cabem. Sem mais delongas... Quando e SE minhas confusões voltarem para a rede, “juro que prometo” que aviso. É só deixar um comentário com o e-mail! No mais, obrigada pela delicadeza, pelas reflexões, pelo carinho! Até quem sabe...