A morte

Berlin, 11 de setembro de 2005

" lia a vovó morreu quinta-feira as 6:00 dia 8"
.
Talvez pela crueldade inevitável da profissao que escolhi
De já saber quando a morte se aproxima
A notícia nao me chocou
Tocou-me, claro!
Tocou-me também o modo curto e breve como veio:
Telegrafado, conciso
.
Nessa vida a gente se mistura
Se reparte
Se multiplica
Até que chega o dia em que já se espalhou tanto
Já virou tanta gente
Que nao cabe mais num corpo
Aí ele padece de uma doenca bem besta
E a nossa alma
De tao levinha se desprende
Sobe direto pro céu
Uma parte de nós fica com quem convivemos
Com as pessoas pra quem de fato importamos
Pra quem existimos
E enquanto nelas estivermos,
Vivemos!
.
Vovó Franskinha está em mim
Que tive a honra de chamá-la de avó
De saber que me considerava sua neta
Está em toda essa gente de alegria sem igual que ela criou
Nessa ruma de brasileiros chamados Brasilino
.
Sua bravura de verdadeira matriarca
Ainda existe
A morte ?
A morte nao existe.
.
Posso até ouvi-la dizer: “É a verdade!"