Imaginação, Conhecimento, Saudade

Assim como Einstein, também considerava a imaginação mais importante que o conhecimento. Isso até começar a estudar Medicina. Não deu pra não me assustar com o absurdo de informação a enfiar na cabeça. E a imaginação? E a criatividade? E o que é mesmo que estou fazendo aqui? Eu, que entrei nessa por genuína repentina vontade e árduo esforço, passei a sofrer um bocado, encarando minha passagem pelo curso como uma espécie de cético estudo observacional, que não me dizia muito respeito. Não se tratava de negligenciar os estudos, mas de desconfiar seriamente não ter muito a ver com tudo aquilo. Entendam, fazer Medicina sempre foi um grande barato, um poderoso acesso a seres humanos em toda sua rica gama de vulnerabilidades. Martírio era não conseguir enxergar a faculdade como a trilha mágica que tinha a Dra. Lia Sanders como produto final. Quando finalmente assimilei a obviedade de que muito em breve, pra Deus e Mundo, seria médica, precisei parar 
                                                                                                             Voltar significou - mais que um recomeço - a delícia de perceber que, quisesse eu ou não, meu modo de ver e entender pessoas e doenças já não era o mesmo. Rapaz, não é que esse negócio de faculdade de Medicina pode dar certo! Foi preciso passar incompleta pelo prazo final pra entender que não há prazo, não há final! A semana de formatura da turma me desperta sensações indescritivelmente especiais. Em seis anos, cada um fez o melhor que pode, do jeito que soube. Com ternura e alegria assisto a meus colegas tomando os mais diversos rumos. Pertencer a esse grupo é aquele famoso prazer inenarrável que faz a ovelha desgarrada, que aos poucos se acostuma à idéia de virar gente grande, soar piegas numa derretida saudade. O produto final? Grandes amigos, admiráveis colegas e somente boas lembranças! 
Quanto ao conhecimento: como bem sabia o danado do Einstein, impossível se imaginar sem!