Escuta o baiano


E se eu recomeçasse?
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109 páginas depois de "E se eu começasse a escrever meu livro hoje?" encaro o primeiro esboço impresso e me pergunto o que diabos disto seria aquilo que pensava escrever. Eu, formada. Estranho, né? Bom, eu acho! O diploma - que está num sai não sai há uma semana - e um eloqüente carimbo violeta onde se leia:
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LIA SANDERS
Médica
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talvez me ajudem a assimilar a boa nova. Que nada! Um paciente com uma diarréia aguda que seja e inofensivos sais de reidratação oral por prescrever e caio na real! Enquanto a burocracia entrava um contato imediato com o Programa de Saúde da Família, me atraco com: O LIVRO... que até o presente momento não passa, diga-se de passagem, de um monte de "histórias afobadas" (taí um bom título!) vomitadas em corridos trinta dias. São inúmeros "causos", carentes da bendita liga do fio da meada, para dar o grude. O que diabos pretendo com esse romance? Que romance? Por que é que você tem de se meter a fazer um romance? Tá doida, menina?
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- Tá atrasada?
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É o que pergunta o baiano tranqüilo, meu guia até o restaurante mais próximo. Eu vôo baixo a, no mínimo, um metro de distância e ele - claro - não compreende meu passo apressado, de férias, em plena Salvador. O baiano não imagina a minha fome de um bilhão de coisas. Loucura capaz de corroer a alma, mas absolutamente ineficaz quanto ao moderado curso do tempo. O diploma só sai quando o reitor bem entender e a desleal queda de braço com a burocracia pré-Alemanha - não tem jeito - requer mesmo o tempo de sobra de uma afoita e serelepe escritora. Tão apegada à idéia fixa do romance, coitada, ela perdeu algo da leveza, da sutileza, da inpiração!
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Escuta o baiano,
menina,
doutora,
maluca!
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Não se ponha prazo,
não se amarre um laço,
não se imponha medo!
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Tá atrasada?

Que nada!
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Tá nessa vida.
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Curte o passeio!
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