Semi-analfabetismo trilingue


'Entao devo estar ficando mesmo sentimental'  emenda com 'O Brasil veio passar uns dias aqui em Berlin.'... ' pode ter sido a música'... Entre os delírios anteriormente mencionados e mentiras do porte de 'só escrevo quando estou bem' contei ao todo nove brotos de textos. Ok, nem toda idéia se digna mesmo a um apoteótico fim! Até pensei em juntar todos num bolo só, mas o esquema de seguranca do blog me impede de copiar todo e qualquer trecho. O irônico seguro contra o (auto)plágio pode até irrritar, mas é garantia de inovacao. Nada de se repetir, Lia; pelo menos nao sem uma convincente releitura. Há várias razoes para eu nao mais por aqui escrever. A primeira é o fato de eu viver num país de língua alema e me aventurar num universo científico inteiramente codificado em Ingles. O trivial para os que formataram seus cérebros com esta e/ou aquela língua antes dos vinte anos é esforco dobrado para a minha intrincada fiacao cortical. Nao mata, mas engrossa os couros essa loucura de se despir de um certo estágio intelectual para se jogar no absoluto analfabetismo. Nao dá é mais para o sujeito escrever coisa nenhuma! Como a frase perfeita nao sai sempre de primeira, mesmo em Português, aqui tenho de condescender com meus mais recentes avancos. Se de outra coisa nao, agora já posso me orgulhar de meu vasto semi-analfabetismo trilingue! Quem nao se adapta aos padroes pode pelo menos se deliciar com a fragilidade da norma corrente, a se notar em cada superacao técnica. Veja lá se nao é a inovacao o primeiro sinal de expertise?  É a tal licenca poética num sentido prático mais geral. Já para o analfabeto incorrigível com sérios problemas de diccao, vulgo: estrangeiro, nao há escolha. A imponderável barreira entre o criativo neologismo e o mais descabido erro de colocacao nao lhe deixa outra alternativa além de fazer o possível para caber justinho dentro dos conformes. Digamos que além do orgulho ferido, uma outra explicacao para a escassez de escritos é a falta de vontade de dizer. Talvez o efeito de uma grave autocensura, um certo pavor a toda forma de exposicao descabida. Nao combina muito com o atual contexto orkut-facebook de 'vejam todos, please, o que comigo se passa!', mas fazer o que^? É ser coerente e cortar o blog, expressao do mais vaidoso e vil exibicionismo! Outras razoes sao um teclado maldito sem cedilhas nem acentos circunflexos (mil perdoes) e uma boa meia dúzia de atividades nas quais ando me engajando. É a Física! Sim, essa coisa louca que me fez abrir mao de toda  a redonda estabilidade que a Medicina poderia me oferercer também me convenceu de que os mistérios da mente humana nao sao páreos para a minha va~ Biologia. Estou numa odisséia desvairada conciliando um doutorado empírico em percepcao visual/esquizofrenia com um bacharelado em Física. Observando os resultados dos experimentos, até que nao seria de todo mal deixar o projeto de mao e me dedicar inteiramente a entender o que a Física já revelou da natureza em geral. No mais absoluto fascínio com o que a Matemática é capaz de descrever, vou aqui pelejando com o segundo semestre. Nao que eu pertenca a essa classe infeliz de pessoas que deixaram a alegria em alguma esquina do passado, mas os tempos dourados dos dezessete anos de vida organizada e estudo profissional com sucesso garantido fazem falta agora. Sem querer nem poder voltar um dia sequer, o  jeito é me contentar com falhas aqui e ali e levar tudo por cima de orgulho e pedras, dentro das mesmas 24 horas que o dia oferece a todos os filhos perdidos de meu Deus... Olha eu timidamente fazendo as pazes com a escrita!
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