Livro, árvores e avós


Quando arranjar tempo e disciplina, escrevo o livro em um outro website. Não estou muito segura de que um romance cabe no meu cérebro na rede. Não é só a preguiça de colocar os links no cabeçalho para que um hipotético visitante ou outro se anime a ler o livro do começo.  É que o romance tomou rumo - pelo menos na minha cabeça - e eu, mais que de repente, fiquei com vontade de escrever sobre o que bem entendo. Não que eu algo bem entenda… Enfim… vocês sabem! O Livro continua sem nome e com um ritmo que talvez possamos chamar de quinzenal. Como se vida própria ganhasse, a história - voluntariosa - faz drama, emperra, negocia, mas segue. E ainda bem que segue! Acabou que não usei uma só frase do romance truncado que abortei lá pelas cento e algumas páginas. Havia um problema com os escritos de tempos atrás: a minha avó. Que bom que cedo ou tarde a gente capte o que não é de nosso calibre! Um livro que eu escreva a respeito de D. Lirinha está fadado a um limbo entre a blasfêmia e a ficção. Sim, a tomo como ponto de partida. Em comum com vó Rebeca D. Maria Lira não tem muito; talvez o fato de as duas serem bruxas - o que para mim é algo além da virtude. Se a personagem do livro usa a palavra em outro sentido já não é problema meu. Tenho fascínio por avós, todas elas. Não que eu não goste de mães. Filhos de uma mãe como a minha necessariamente estendem a admiração à toda a classe. É que no meu esquema de vida, avós desfrutam de uma posição neutra e mística. São como grandes árvores de tronco robusto. Enquanto a mãe com seus rebentos se angustia, a avó deixa rolar: darão em árvores, gerarão outros frutos? Deixe-os ser e veremos! Por obscuras leis naturais ou pelo efeito indireto de seu prévio trabalho junto aos genitores, os mais indispensáveis ensinamentos aos netos hão de chegar.  Eu não sei se quero ser mãe, mas avó… Não é preciso  aqui tomar partido do meu marido em seu projeto de família e me lembrar de que a natureza não me oferece tal atalho. Sim, claro, avós são sobretudo mães! Voltando ao livro, sei que a história que ando rabiscando é difícil de acompanhar. Pegar o fio da meada requer além de alguma paciência um interesse tremendo. Em parte pelos redemoinhos do meu raciocínio nada linear, em parte porque cada novo trecho chega quando o traço de memória do capítulo anterior já se esvaiu. Quem há de falar em capítulos? Estamos apenas começando. Muito obrigada pelas frequentes visitas, pela coragem de se apresentaram como ilustres visitantes, pelos e-mails e comentários tão carinhosos. Quem gostar, pode espalhar. Quem sabe esse livro não cria tutano e sai da tela?