Ode à saudade


Eu, que já te conheci 
Em todas as estações 
De perto, de longe
De olhos fechados
 Cansei de te observar  
De rabo de olho

Eu te conheço, saudade! 
Saudade de sons, de tons
Saudade das boas! 

Saudade de todas as coisas
Do que nunca fui, de onde nunca irei
Do que minha memória tinge em cores 
Que talvez nunca nem sequer 
Venham a existir

Se, através da arte, a dor
 Há de render alguma beleza
Eu te encaro, saudade!
Te chamo por teu nome completo: 
Saudade, dor sem remédio
Mal que só se cura 
Com outra saudade
 -
Viciante
Gozadora
Asfixiante

Saudade...
 Benza-te Deus!
És mãe da poesia 
E de todo bom samba

Ode
arde
o adeus 
Valei-me, meu Deus
Que saudade!