Teresinha Olivier



A minha mãe é a melhor mãe do mundo. 

De testemunha tenho dois irmãos grandes e fortes; de modo que se desaconselha veementemente qualquer desafio a meu posicionamento. Pelo monopólio do posto, a primeira frase do texto é válida não somente para os três rebentos da bela dama da foto. Então para que minha homenagem não acabe no trivial, declaro que se eu não usufruísse do delicioso privilégio de ser uma das crias de Teresinha Lira Olivier, eu seria, decididamente, sua amiga. E se, desprovida do amor que embaça os sentidos maternos, ela por mim não se interessasse, eu faria de um tudo para capturar sua afeição. Se porventura, como geralmente ocorre com esse tipo de esforço, a estratégia não funcionasse, daria um jeito de permanecer em seu entorno. Caso ela me enxotasse, a observaria de longe. Nela esbarraria vez ou outra, nem que fosse para gaguejar desculpe, foi sem querer. Tudo bem se a réplica viesse em forma de esconjuro. Afinal, minha mãe é verdade em cada um de seus atos e palavras. Ela é água fresca jorrando da fonte, forte, viva, cristalina. É das criaturas que por existirem já purificam e edificam o planeta. Só que ela não se contenta em ficar nisso. Observa, antevê, apronta. A minha mãe é a pessoa mais espontânea que conheço e uma das poucas em que maturidade e naturalidade se harmonizam tão pacificamente. Ela é corajosa de explodir, intervir, se impor; e tão capaz de perdoar as falhas alheias como de voltar atrás com uma falta sua. Preza por suas responsabilidades; as cumpre com doação e determinação absolutamente desconcertantes. Fareja nossas dificuldades antes mesmo de encontrarmos os termos para denominá-las. A minha mãe me ensinou tanta coisa que para contar tenho de escrever inúmeros romances, inventar personagens nos quais respinguem um e outro fascinante aspecto seu. Hoje, mal ela acorda, já me passa pertinentes observações a respeito do meu primeiro livro. Aponta uma contradição na história, que, lendo mil vezes, eu não identificaria. Ainda assim, releva o tropeço: diz que sou escritora de mão certa. Eu me vejo obrigada a corrigi-la publicamente: sou escritora de Mãe certa, mãe! Certa, certinha pra mim.

Feliz dia das mães!