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Necessitamos de defensores da causa da nossa existência
Gente interessada no que façamos, apenas pela autoria
Procuramos correligionários de nossa ínfima missão
Cúmplices, aliados, comparsas
Urgem seres que enterneçam ao som do nosso nome
Desinteresses puros e gratuitos
Caros de tão baratos

Buscamos jardineiros da alma
Semeadores do mérito que não percebemos em nós
Acolhemos astigmatas amorosos
Que nos vejam necessariamente mais belos do que somos
Precisamos de emissários de nossos melhores prognósticos irreais
Capazes de nos lembrar de nosso destino
Para que não desmereçamos a fé

Dispensamos os remetentes de pêsames
Torcedores da desgraça embrulhados em compaixão
Prescindimos de carpideiras, de reformadores morais
Também rejeitamos secadores de pranto
Amigos não enxugam lágrimas; arrancam sorrisos
Que os detentores da candura se nos apresentem
E nos carreguem para onde a ternura do amor do amigo aponta