Des-espere!


Discreta adestradora de toda intempestividade
A espera abstêm-se de escândalos
 Não nos apunhala o coração
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Tortura o canto da menor unha do dedo do pé
E só cede quando, depois de muita luta, admitimos
O tempo jamais nos pertenceu
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Ah, a espera não mata; mas como cansa!
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Desenreda-te das garras da espera, meu caro
Pare de contar os dias
Não acredites assim demais nos prazos
Nada espere
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O que é melhor: 
Ansiar por objetivos medíocres
Ou deixar-se arrebatar por belas surpresas?
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Quem insiste na espera
Exercita a paciência
Quem já não espera
Alcança
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Prazeres inesperados 
São exclusividade da despretensão
Desiste, pois, de inventar o futuro
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Des-espere!
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