Flores para Luiza

Dizem que só as mães são felizes. Se é assim, escrevo embalada pelo que denomino felicidade, mas não deve chegar nem perto da real sensação. Hoje veio ao mundo a filha de Raquel e Thiago. Nesta família, sulamericana como um bom romance de Gabriel García Marquez, os nomes se repetem, os nomes nos confundem. A pequenina chama-se Luiza. Belo nome! Confesso que se Raquel dele não se apoderasse – a prioridade naturalmente é dela - eu um dia o faria. Luiza é também a minha tia, mãe de Raquel e melhor tia que alguém poderia pensar em ter. Tia Luiza foi-se precocemente; apanhou-nos absolutamente despreparadas. E de que outro modo? Quem se prepararia para dar adeus a Luiza? Como de costume, o tempo fia a trama. A filha vira mãe e faz da sobrinha, tia. Obrigada, Keo! Então a ordem do dia é receber Luiza. Seja muito bem-vinda, divina luz de vida! Paciência se ela nasce sob o signo de escorpião... No delírio de nos regermos por astros, acreditaremos também que toda magia exige um bom veneno. ;-) Paremos com a brincadeira! Acompanhar o desabrochar de uma nova criatura é aventura de responsa. Bem verdade que uma mulher tem mais o que fazer além de dedicar seu útero à passagem de um novo ser, mas é por aí que, magistralmente, a vida se renova. Ai, a vida... A vida está apenas começando! Seria a adrenalina da missão ou o amor incondicional pela cria a razão da transcendentalmente indiscutível felicidade materna? Essa fica para a nova mamãe responder. Responde nada; responde não! Apenas abraça a tua pequena, Keo. Flores, Luiza, muitas flores para você!